sábado, outubro 30, 2010

Para você, uma rosa

Guarde as armas, querida, guarde as armas. Não há motivos para usá-las contra mim. Guarde a língua, querida, guarde a língua. Em matéria de palavras, meu vocabulário é mais abrangente que o seu. Não queira ser mais do que eu, não entre neste campo de batalha. Você tem um brilho especial, uma luz extraordinária, algo que é só seu. Então por que você deseja o que é meu?
A cada farpa que você me oferecer, te retribuo com uma rosa. A cada vez que sua boa me amaldiçoar, eu te abençôo. Não faço isso por ser cristã, não te amo por algum motivo, tampouco quero de presentear. A rosa não simboliza qualquer tipo de sentimento que eu tenha por você, mas o como você é frágil. Significa que ao contrario de todos no mundo, eu te vi como você realmente é. Apesar de bela, apesar de ter perfume, tem espinhos afiados, e os seus tem veneno. Das flores, a rosa é a mais popular, por significar delicadeza. Mas, nós sabemos que sua delicadeza esconde sua inveja, pois todas as rosas são invejosas das outras flores do jardim. Rosinha tola! No jardim da vida, há espaço para todos. Fale o quanto quiser, mas não vou abandonar os meus princípios, não vou concordar com seus erros, não vou apontá-los, não vou sofrer. Meu mundo não precisa de você. Talvez você seja o mundo de alguém, mas não o meu.
Esta é a minha melhor vingança: meu silêncio e uma rosa, que significa a sua tolice, sua inveja, sua falta de confiança em si, seus espinhos e seu veneno. Cale sua linda boca, mantenha-a fechada para seu próprio bem,  você sabe que não tem mesmo moral para falar de mim. Só me pergunto até quando você continuará obcecada comigo, até quando vai se preocupar comigo, e quando vai despertar e ver que você não significa nada para mim, nem você nem seus problemas. Não sou obrigada a te suportar por um mero laço de sangue.
Na verdade, te ensino a ser superior em poucas palavras e uma atitude. Você nunca mereceu ouvir nada da minha boca, e mesmo assim, cá estou eu sendo generosa contigo. Arme-se contra mim, blasfeme contra mim, faça o que quiser. Você sabe que nunca vou cair na sua história. Para você, meu sorriso, meu silêncio e uma rosa, que será melhor que um tapa na cara. Isso faz parte da arte de ser superior.
Amanda Souza
(Respeite meu espaço, e eu respeito o seu. Passe a linha, e eu vou te dar bem mais que uma rosa.)

quarta-feira, outubro 20, 2010

Ás vezes

Ás vezes eu me canso de ouvir o som das minhas lágrimas caindo pelo chão. Canso de sofrer minhas pequenas dores e não ter com quem dividi-las. Canso de chagar-me tão brutalmente e de não ter piedade de mim. Mas ás vezes gosto de ouvir os pássaros cantando pela manhã, gosto de saber que o sol está brilhando e que tem um dia lindo a me esperar. Gosto de enrolar cinco minutos a mais na cama antes de me aprontar para lutar uma vez mais.
Ás vezes gosto de falar sozinha, porque descobri que sou a melhor pessoa com quem posso conversar. Descobri no silêncio agente descobre o que falar. Descobri que dividir as dores não convém e que devemos dividir sorrisos. Descobri que as pessoas que vão embora não levam pedaços de mim, mas sim que deixam suas marcas em mim. E que as vezes se essas marcas são muito profundas o sentimento da saudade nasce e é ele que me faz sofrer.
Descobri em mim uma amiga que ninguém no mundo jamais vai ter. Ás vezes gosto de culpar as pessoas pelos erros que cometi, e ás vezes gosto de me sentir culpada por eles, pois isso mostra o quanto eu cresci. Ás vezes gosto de ouvir uma música quente em um dia de frio. Pode parecer estranho, mas me sinto aquecida assim. Ás vezes gosto de parecer ser algo que eu não sou, mas essa vontade logo passa porque não importa como as pessoas te vêem, mas sim como você realmente é.
Ás vezes gosto de brigar com todo mundo porque ninguém me compreende bem. Ás vezes gosto de sentir saudades de momentos que não voltam mais. Ás vezes eu me iludo achando que tudo pode voltar a ser como era quando eu era uma criança.
Descobri que não gosto de dormir, descobri que gosto de sonhar, porque só em meus sonhos tudo fica bem. Ás vezes eu acho ruim toda a proteção que ele me dá. Mas assim que eu me machuco, eu ligo para ele, pra ouvi-lo me dizer com sua voz que soa tão doce, que tudo vai ficar bem, tudo vai passar.
Mas sabe o que eu gosto mais? Ás vezes eu gosto de escrever sobre minhas tristezas e minhas alegrias, minhas intermináveis histórias, minhas glórias e epifanias. A sensação de alivio de saber que posso partilhar tudo isso com alguém me faz sentir tão bem, como se meus dedos flutuassem sobre o papel. Gosto de saber que posso fazer alguém que não conheço sorrir e que posso sorrir também. Ás vezes gosto de amar, odiar, sonhar, tocar, sentir, falar, ouvir, cantar, fingir... Ás vezes gosto de viver.
Amanda Souza