sábado, maio 22, 2010

Delicada


Sussurros que o vento traz em uma doce melodia fazem-me sentir arrepios, calafrios. Delicada...
Eles me dizem palavras doces quando é tudo o que queria ouvir, palavras que não ofendem a castidade de meu sexo.
É como se o paraíso de abrisse para me presentear com toda a sua graça, com todo o seu esplendor. Tudo se torna mais claro com a luz angelical. Com esta luz celestial.
Os sons são outonais, as cores primaveris, tudo é tão quebrável neste incrível universo de ser eu. Não existe mais a dor quando todo seu calvário foi completado, não há mais dúvidas, não há mais perguntas. Todas as respostas são dadas no incrível ato da junção de dois corpos em um: os lábios dizem um ao outro tudo o que precisam saber. E como é puro e cândido este momento que as palavras são desnecessárias e os sentimentos são um imenso espiral cativante.
Na brancura de minha pele, as veias que são facilmente vistas trazem seu nome marcado, pois assim saberá que em algum momento já esteve em meu coração.
Mas não se engane, ídolo de meus sonhos: sou assim como o vento, sopro a onde bem entendo e não sigo ordens. Sou livre, sou leve, sou solta e delicada. Suas palavras devem ser medidas em três pesos para serem dirigidas a mim, ou esta doce brisa tornasse-a um terrível furacão.
No mais, no menos, no centro de seus pensamentos, deixe isto sempre claro: os sentimentos abstratos deste coração são teus, mas este corpo nunca terá um dono. É assim que sou, e a liberdade é meu sobrenome.
Descrever me é algo fácil se feito só por mim, pois só a verdadeira dona de mim pode revelar o que realmente é. Para você, quando falar de mim use só um adjetivo: delicada.

Amanda Souza