segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Candura

O arrepio nasce através do toque de seus dedos, magicamente ou maliciosamente? E neste sutil toque, posso ver o paraíso em poucos segundos enquanto meu corpo rebelde anseia por mais.

Sentir-me tão protegida em seus braços, descansar sobre teu peito e sentir o tempo voar enquanto estou ao teu lado. O sorriso iluminador como o primeiro raio de sol que quebra as trevas da madrugada que vem de seus lábios é a fonte de todas as minhas forças.
Sentir seu calor aquecer o frio que reinou em meu coração por tanto tempo. Já não sei mais quando estou acordada e quando estou sonhando, pois se estou ao seu lado, sentindo toda a tua luz, tudo é tão perfeito até duvido da realidade.
Esquecer-me de respirar entre nossos beijos, esquecer-me do mundo em seus abraços, esquecer-me de tudo e abandonar-me a cada pequena hora e cada grande segundo que partilho se sua companhia.
A eterna certeza de que a cada sonho bom que eu tiver, lá estará teu rosto pacífico acalentando-me e fazendo-me feliz. Até mesmo em meus sonhos. Em meus pesadelos, lá estará você, meu príncipe de armadura reluzente, espantando meus medos, destruindo as trevas e reerguendo-me.
Em nossas madrugadas, os anjos vêm embalar o nosso sono, com toda a sua doçura. Ao velarem seu sono, tornam-se invejosos, já que não possuem o teu brilho resplandecente, tua beleza escultural, a candura de teus atos e nem sequer a tua bondade. Se tivesse asas, seria o mais belo dos anjos do céu. Tão belo, tão lindo que Deus o teria só para ele. Mas ele foi melhor e te deu só para mim.
Mesmo quando não estou contigo em corpo, estou com você em espírito. A lúxuria me faz visitas em sonhos e mesmo quando acordada mantendo a chama que suas mãos acenderam mais e mais viva. A madrugada não é assim tão fria se os pensamentos estão quentes.
Nunca imaginei que amar seria tão maravilhoso, nem mesmo que poderia sentir a brisa das asas dos anjos ao meu redor enquanto meus lábios selam o pacto de amor eterno com os seus. Mas você, novamente imprevisível, mostra-me que não há nada no mundo, que suas mãos não alcancem.
Te daria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Peça meu coração e o tera pulsante em suas mãos, peça minha alma e a terá avivando seu corpo.
Amanda Souza

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O tormento da meia-noite

Chamo o seu nome no escuro. Atormentada por meus fantasmas que insistem em zombar de mim. "Sentimentos são para os que desejam as lágrimas", e o que um deles me diz.
Minhas lágrimas não brotam dos olhos, janelas do corpo, e sim da veia rompida de meu coração, a porta da alma.
A veia que você mesmo rompeu, e eu sangro sozinha, com meus sentimentos.
Seu nome assombra meus sonhos bons. Minhas lágrimas secam sozinhas e você não está aqui quando eu preciso de você.
 Suas doces palavras não podem preencher o vazio de meu coração, que anseia por seu corpo. Amo-te a cada dia mais, sem se quer ver seu rosto nos minutos que estou acordada. Não vê que preciso de você, de corpo, alma e coração? Sou como uma criança que deseja o mais lindo brinquedo, o mais saboroso doce e não o pode ser por completo, somente em migalhas. E mesmo assim, agradecida pelas migalhas que você me dá.
Quando estou envolvida em teus braços, quando no calor de seu corpo desfruto de seu perfume, não há mal que me aflija. Seus braços protetores são como uma redoma: fora dela há o mundo, dentro dela o nosso mundo. E quando meus olhos penetram na imensidão de seus olhos, quando meus lábios estão prestes a concretizar o tão sonhado beijo, então neste momento de frenesi... desperto.
O fato é que a sua companhia tão ansiada por mim só existem em espírito, mas não posso mais impedir meu corpo de querê-lo tanto assim. Meus lábios gritam seu nome á noite por que meu coração não pode suportar o silêncio que lhe é imposto. Se você desejasse meu coração, você o teria ainda sangrando em suas mãos. Com o mesmo batimento rebelde dos velhos tempos, a mesma pulsação tão conhecida por você.
Você sabe que eu lhe daria tudo de mim, e me jogaria na imensidão deste sentimento. Mas não posso entregar minha alma a um fantasma.
Quando eu chorei, onde você esteve para não limpar minhas lágrimas? Quando eu gritei de pavor, onde você esteve para não espantar todos os meus medos, como eu sempre fiz com você e por você?
Toda vez que o sol enfeita meus dias, é terrível olhar para o lado e ver não somente a cama vazia, mas como todo o meu ser.
Meus fantasmas me arrastam para a escuridão de meus pensamentos, sem que ninguém venha me socorrer. Em você ficam as marcas das unhas na pele, marcas de batom, beijos no pescoço, e o suave som de minha voz. Em nós dois ficam os gostos, os rostos, as lembranças, os desejos intocados, os sentidos intactos. E em mim, fica somente o vazio.

Amanda Souza
(Mais uma vez, venho a dizer: TUDO O QUE HÁ NESTE SITE É DE MINHA AUTORIA.  Mais uma vez, agradeço a todos pelo enorme carinho de vocês! Beijinhos ~*)