quarta-feira, dezembro 16, 2009

Indestrutível pureza


Ser forte é seu propósito. Para amar não foi programado. A dor é o único sentimento que conhece.  Ele, pela felicidade foi desprezado.
Ele nada mais é além de um objeto. O desejo de todas as mulheres insanas, que buscam nas noites a aventura da liberdade. O repulso de todos os homens invejosos.
A perfeição é uma palavra que não lhe fazia juz, a beleza imortal era um mero adjetivo que jamais qualificaria as linhas de sua face, ou as curvas de seu corpo robusto.
A pureza era algo que nunca o tocou, pois as sombras do desejo e da luxúria já haviam consumido todo o seu ser.
O que ele mais almejou em sua ilustre existência foi saber o que era o amor. Mas não aquele que ele dava as mulheres impuras das ruas, mas o amor de fato, aquele que muda um ser humano, aquele que nos eleva e que é de fato real.
Ele nunca o teve e nunca o teria, pois o amor é em demasio puro, e a pureza jamais o alcançaria, pois ele fugiria dela como as trevas fogem da luz.
Ele nunca saberia o que é amar, ou ser amado. Sua força, perante ao amor nada era, e ele nunca seria adepto a amar. Até a conhecer.
Sim a pureza em formas femininas lhe foi apresentada. Ela o tocou, ela o teve em seus abraços, e a falta de mácula nela o deixou confuso. Ele nunca se acostumaria com um mundo tão diferente do seu. Estar com ela era como respirar embaixo d'água, mas ele jamais compreenderia. O prazer de deitar sobre as pernas daquela virgem em uma tarde para ver o sol se pôr, sem a malícia em seus pensamentos, sem o desejo impuro em seu coração.
Mesmo que ele quisesse, ele jamais entenderia aquilo, pois o que ele mais desejou acontecera, ele havia sido tocado pela pureza ingênua, mas ela lhe causava repulsa, lhe causava medo por que seu olhar era mais forte do que todo seu desejo, e acima de tudo, por que a amava.
Mas ele não poderia jamais entender o que era amar, mesmo sentindo, porque sua vida fora cheia de máculas irreversíveis, e ele não poderia viver assim. Ele se descobriu fraco e covarde, e a abandonou a pureza que a tanto tempo buscava tocá-lo. Com ela ele deixou seu coração.
Toda sua força vinha de um cálice de absinto, pois Sóbrio ele nada seria. Sóbrio ele era fraco em demasio.
Pois toda sua força vinha de suas mentiras, vinha de seus medos escondidos, e uma força construída sobre alicerces podres, uma hora desmorona. Seus alicerces caíram por terra quando seus olhos angelicais acariciaram sua cansada pele. Quando os raios da manhã o tocou e ele sentiu se amado pelo sol.
Todos os desejos e a luxúria que lhe fora apresentada, agora nada mais eram além de futilidades. Mas ele era um ser contraditório, um ser que nasceu para as sombras.
Pelas ruas onde vaga, levando consigo suas sinas e seus carmas, ele sabe que um dia ela o tocou. E dali ele tira sua força agora. Do único amor que ele sentiu, e nunca provou. De um amor puro de fato, como todos os amores são.
Amanda Souza

9 comentários:

  1. a inocência tende a vencer tudo o que é impuro, mas tem que ser a verdadeira inocência, a divina

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  2. muito belo acho que esta na hora de lançar um livro hein

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  3. amei aqqui ! *-*

    beijos
    http://amandatekah.blogspot.com/

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  4. *-*

    Muito bonito mesmo!
    Super que eu viajei dentre as palavras...

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  5. Realmente muito bom, e a idéia do livro assino em baixo.
    Gostei tanto que resolvi seguir seu blog!
    ta de parabéns!
    Abraço

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  6. Putz, Amanda, vim aqui pra agradecer o comentário e co o que me deparo. Não sei se essa foi sua intensão, mas seu texto daria um otimo monólogo. Tem um quê de tragédia grega. Você está de parabens.

    Ganhou um seguidor mocinha e o prazer é meu!

    Igor André
    (ordemincaos.blogspot.com)

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  7. Oi Você!!! Eu ja tinha visto seu comentario no meu blog mas não sabia que vc era você!!!
    Seu blog é muito legau.... feminista, mais legau...
    Rs, brincadeira!!! Ta lindo!!!
    Tchau, até algum dia ;)

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  8. Muito bom! Parabéns pelo post e pelo blog!

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